Interdisciplinaridade nas Ciências Humanas: caminhos da Pesquisa Contemporânea

Autores

Editora CLAEC

Sinopse

Ao iniciar esta fala, gostaria de relatar, de forma explícita e sucinta, a minha imensa e indescritível satisfação em ser convidado para fazer parte da organização deste evento e de ter acompanhado esta equipe que organizou este momento tão especial como foi o I Encontro Internacional de Ciências Humanas. A determinação desta equipe mostrou que quando se busca algo se alcança porque este grupo teve Responsabilidade, Persistência e Competência desde o ato de pensar ao escrever o projeto para buscar junto a FAPERGS e CAPES os recursos necessários para a realização do mesmo. Para tais instituições financiadoras que permitiram a execução do evento os nossos mais profundos agradecimentos.

Além disso, ressalto e faço jus ao orgulho de ter participado de um encontro como este, cuja amálgama girou em torno do saber, do conhecimento. Mas não de qualquer conhecimento, um conhecimento idôneo, que agrega e que une. “Um saber científico”, nas palavras do Boaventura de Souza Santos (2010).

Os reflexos de um evento desta magnitude são imediatos e vão além das salas de aula; eles mudam a realidade local, efetivamente, aliás, do local ao global, como disse Boaventura Santos (2010). Ao lançarmos os olhos para a situação da educação no Brasil, temos mais certeza que estamos no caminho certo em realizar um evento desta natureza em que possamos discutir temas extremamente importantes para a produção do conhecimento.

Aos palestrantes, Fábio Vergara, Caio Boschi, Gerardo Garay e José Lopes Mazz que com suas falam nos proporcionaram excelentes reflexões, aos coordenadores dos GTs, aos que enviaram seus trabalhos; em nome de toda a equipe de organização o Nosso Muito Obrigado! Isso é fruto de uma união pelo saber e pelo conhecimento.

Nesse sentido, também há a necessidade de repensar o desenvolvimento regional para além dos interesses econômicos. Vale mais uma igualdade social e cultural bem desenvolvida do que o mero porte de capital econômico, e pior ainda se mal distribuído. É por isto que acreditamos ser função da universidade fazer esta reflexão do desenvolvimento humano. As Ciências Humanas! Este Evento o fez, e, neste sentido, também será possível pensar sobre o papel que a Universidade brasileira exerce em relação à sociedade.

Esta é uma região, que também serviu como espaço de contato de culturas, identidades e interesses. Neste sentido, concordo com Stuart Hall (2003, p.38) ao se referir sobre formação da identidade. Observou o autor que a identidade “é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento”, e complementa que “ela permanece sempre incompleta, está sempre ‘em processo’,sempre ‘sendo formada”. Eventos como estes resultam da nossa identidade comum, da nossa preocupação e dedicação para com as Ciências Humanas.

Neste sentido, concordo com a premissa de Boaventura de Souza Santos, quando se refere ao processo de aprendizagem, com foco nas identidades regionais, pois, segundo o autor, o “conhecimento avança à medida que o seu objeto se amplia, ampliação que, como a da árvore, procede pela diferenciação e pelo alastramento das raízes em busca de novas e mais variadas interfaces” (SANTOS, 2010, p.76). Há, portanto, uma possibilidade imensa de se discutir termos tão interessantes quantos os relacionados a uma das mais nobres áreas do conhecimento humano, qual seja, as Ciências Humanas.

Tenhamos, para isto, em mente a vasta interdisciplinaridade presente neste evento, que, como disse no começo, é tão esperado por toda a comunidade acadêmica e de interessados no assunto. Seguindo as palavras de Boaventura de Souza Santos, nós “duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro” (SANTOS, 2010, p.92).

O nosso papel está intrinsicamente comungado com a educação, com o comprometimento em relação à Humanidade. De nada nos adianta sermos profissionais capacitados se nos esquecermos de que trabalhamos diretamente com pessoas. Devemos ser, acima de tudo, humanos; humildes em nosso conhecimento. Referindo-se ao senso comum, nos alerta Boaventura de Souza Santos que, “deixado a si mesmo, o senso comum é conservador e pode legitimar prepotências, mas interpenetrado pelo conhecimento científico pode estar na origem de uma nova racionalidade”.

“Uma racionalidade feita de racionalidades” (SANTOS, 2010, p.90). Finalizo minha fala com as notáveis palavras de Boaventura de Souza Santos: “Hoje não se trata tanto de sobreviver como de saber vive. Para isso é necessária uma outra forma de conhecimento, um conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe e antes nos uma pessoalmente ao que estudamos (SANTOS, 2010, p.85).

Parabéns a todos que participaram deste Evento. E que venha o IIEIPCH!

Muito obrigado pela presença de todos,

Prof. Dr. Ronaldo Bernardino Colvero

Coordenador Geral do IEIPC

Capa para Interdisciplinaridade nas Ciências Humanas: caminhos da Pesquisa Contemporânea
Array

Detalhes sobre essa publicação

ISBN-13 (15)
978-85-93548-05-5
doi
10.23899/editora claec.35.4